quinta-feira, 2 de maio de 2013

Sobre o futuro da informação e a escola

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Lendo o artigo da jornalista  Débora Nogueira na que trata do futuro da informação, fiquei pensando no impacto disso tudo na educação. Vou fazer alguns links entre o texto dela e minhas considerações:

"Os veículos de mídia vendem informação para quem já consumiu ela na hora em que o fato aconteceu, pela rede social. Me lembro do dia da nomeação do papa, em quem todas as piadas se esgotaram em 20 minutos. Até o cartunista de jornal fica numa posição difícil diante desse esgotamento de visões irônicas de um fato!"
Se isso acontece com os veículos de comunicação que têm uma mega estrutura, imagina o que vai acontecer com a escola? Não é possível competir com esse cenário! Temos que nos adaptar a esse contexto e entender qual é o papel da escola: quais as habilidades que precisamos ter para consumir a informação de maneira crítica?

"Um dos maiores jornais do País, o Estadão, recentemente reduziu o número de cadernos e páginas sob o pretexto de que o leitor de jornal quer mais “conveniência e eficiência de leitura e um jornal mais compacto em dias úteis”. Mas o que seria isso em termos práticos? “Oferecer menos conteúdo precisa ter necessariamente como contrapartida uma melhoria significativa na qualidade do que é publicado”, escreveu a ombudsman da Folha, Suzana Singer."
Vejo isso acontecer sempre! Só que o professor reduz o texto dos livros didáticos... E a qualidade dos livros adotados pelas escolas também passa por esse processo: informações mais compactas. Se oferecer menos conteúdo precisa estar associado ao aumento da qualidade dele, qual é o papel do professor? Como podemos melhorar o conteúdo que já existe? Apenas inserir recursos multimídia qualifica a informação?

"Independente do rumo que os jornais brasileiros, e do mundo, estão tomando, me interessa a discussão de qual tipo de conteúdo serve para um público que só tem 2,8 segundos de atenção. Isso é importante para o jornal, para a revista, para o site, para quem faz aplicativo etc."
E PARA A EDUCAÇÃO TAMBÉM! Como planejar uma aula para quem só presta atenção por 2,8 segundos??? Fiquei pensando se adianta falar com as pessoas????

"Acho difícil aposentarmos o termo “lead” para organização das informações em uma notícia (o que é mais importante vem antes), mas acredito que novos formatos de textos, com o DNA da internet, vão passar a ser mais respeitados no jornalismo e na comunicação em geral. Compilados de GIFs animados, fotos com legendas engraçadas (como faz o BuzzFeed) e principalmente listas (desde as piscinas mais bonitas até dez dicas para mudar de vida, de emprego ou de marido). O entretenimento grudou na informação com superbonder. É difícil ver um conteúdo relevante na internet que seja puramente jornalísticamente sisudo. Até sites de Economia e Negócios já consideram novos formatos, veja o caso do Business Insider, ou da Economist. A Casa Branca criou um perfil no Tumblr colocando uma franja falsa no próprio Obama (!). Que época para se produzir conteúdo."
Acho difícil ver tudo isso acontecendo em curto prazo na educação, mas é um caminho: novos gêneros textuais, produção de conteúdo multimídia, deixar o aluno ser protagonista da sua aprendizagem. Eu sei, existem casos em que isso acontece, mas eu gostaria de um dado mais concreto: quantos professores do país encaram esse desafio e incorporam os avanços tecnológicos, digitais, científicos, pedagógicos,... Posso parecer descrente nesse momento e gostaria de ser convencida do contrário...

"Mesmo os veículos 100% online têm dificuldade de produzir conteúdo para essa geração que só quer um snack, e não um three-course meal. 2.8 segundos é o suficiente para ler 140 caracteres ou apenas uma manchete."
Quanto se aproveita de uma aula expositiva?

"Num mundo onde 17% dos pageviews duram menos de 4 segundos, e apenas 4% do público fica mais de dez minutos em um texto (se você chegou aqui, obrigada), e principalmente onde o tráfego via celular cresce a cada momento, é preciso apontar caminhos para que as empresas de mídia continuem servindo os snacks e ao mesmo tempo viabilizando seus negócios."
E para as escolas também...

"Em uma palestra recente no SXSW (South By SouthWest), o diretor da agência JESS3 Brad Cohen, especializada em criação para mídias sociais, defendeu o conteúdo de pequeno tamanho, refutando que trata-se de um conteúdo pior. Os infográficos, imagens, ilustrações e vídeos curtos devem ser auto-explicativos. O ‘snackable content’ deve ser uma forma pequena de informação que os consumidores consigam se engajar rapidamente, e compartilhar pelo próprio celular. Segundo ele, aquilo mata a fome na hora, mas o deixa sedento por mais depois, gerando engajamento para a marca."
Será que conseguimos fazer isso na escola? Matar a fome, a curiosidade e o interesse imediato dos alunos e deixá-los com vontade de aprender mais? Como podemos fazer isso? Eu tenho algumas hipóteses, mas é conteúdo para outro post...

Leia o texto na íntegra:
colunas.revistagalileu.globo.com/colunistas/2013/04/30/o-futuro-da-informacao-ou-pode-me-chamar-de-dori/

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