sábado, 30 de junho de 2007

::Sobre lição de casa, televisão, msn e ipod::

Coluna da Revista Nova Escola

Paola Gentile, colunista da Revista Nova Escola, aponta na sua coluna do dia 26 de junho uma questão que há muito faz parte das minhas reflexões: a geração multimídia.

Ela relata sua experiência pessoal, que retrata a situação das nossas crianças e jovens, que realizam suas tarefas fazendo mil coisas ao mesmo tempo: televisão ligada, ouvindo música e trocando mensagens com os amigos.

Mas será que elas estão realmente aprendendo?

Ao conferir as lições feitas a mãe se surpreende: "Nenhum erro grave! Nada que indicasse distração ou falta de atenção!".

Como assim?

A neurologista e educadora Elvira Souza Lima, de São Paulo, diz que os jovens de hoje são multimídia. Ou seja, são capazes de operar diversos canais cerebrais ao mesmo tempo, sem que um abafe o desempenho do outro. E que isso é quase “genético” nas novas gerações, super expostas às tecnologias, direta ou indiretamente. “Eles operam com várias ‘janelas’ abertas”, declarou ela, usando termos da informática. Aliás, os professores de hoje são sempre incitados a variar a metodologia e os recursos usados em sala de aula, para que, durante o processo de ensino, vários sentidos sejam trabalhados e contribuam para o aprendizado.

Afinal, isso é bom ou ruim?

Agora deixo cada um fazer a sua reflexão!
Se você quer saber a opinião da Paola Gentile, clique aqui, e lei a coluna na íntegra.
E aproveite para deixar sua opinião aqui nos comentários.

Mas tenho mais algumas indagações:

E a escola? Como está tratando a geração multimídia?
Ignorando esse novo comportamento? Ou se adaptando ao uso das tecnologias presentes no dia-a-dia?


Para saber mais sobre a geração multimidia:

Outros posts sobre o assunto:



1 pessoas deixaram comentários!:

Jarbas disse...

Alô Sintian,

Por razões várias, gosto de ler e estudar em cafés. Desenvolvi o hábito nos tempos de mestrado quando ia para cantinas - muito barulhentas - fazer longas leituras acompanhadas por copos enormes de café e inúmeros cigarros. Na biblioteca da universidade cigarro e café eram obviamente proibidos. Ou seja, aprendi a estudar num ambiente onde a maioria vai para atividades recreativas.
Jovens fazendo lição de casa com TV ligada, computador idem, fones de ouvido tocando rock ou outros ritmos muito vibrantes etc. parece ser algo comum. Mas a conclusão de que está surgindo uma nova espécie muitimídia me parece apressada. A capacidade humana de selecionar o que interessa entre os muitos estímulos disponíveis num único momento é tão antiga como a saga do homo sapiens. Acontece que essa capacidade vai se alterando de acordo com as mudanças ambientais. Em vez de florestas com sons diversos,onde era vital prestar atenção em sinais do predador, temos agora ambientes onde sons (e outros estímulos) não nos devem afastar de de algo importante.Em outras palavras, mudaram as condições ambientais, não a capacidqade humana de selecionar o que importa ou vale a pena num dado momento.
Outra coisa. Se forem algo mecânico e pouco exigente em termos de atenção, não estranha muito que as lições de casa possam ser feitas ao mesmo tempo que outras atidades do cotidiano de jovens das classes afluentes. Nossa capacidade de produzir superficiallidades simultâneas é muito grande...
Volto a insistir, seres humanos operam com muita abertura para os estímulos ambientais. Nas florestas e savanas de nossos ancestrais isso era uma questão de vida ou morte. Essa não é um virtude que decorre de nossa capacidade crescente de gerar informações em veiculos elétrico-eletrônicos. Tal tipo de interpretação, acho, faz parte de uma nova mitologia que, se aceita sem crítica, desqualifica nossa magnífica espécie. É por essa e por outras que acho que Biologia é um ciência fundamental. Abraço grande, Jarbas.

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